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terça-feira, 13 de março de 2018

Cuanza-Norte intensifica luta contra a malária



Está em curso na província do Cuanza-Norte a maior operação de  fumigação para  o combate ao anófele, mosquito vector da malária. As dez sedes municipais  têm pulverizadores e carros para acopolação, além de stock de insecticida cipermetrina que   permite  trabalhar até Agosto próximo, segundo a directora provincial da Saúde, Filomena Wilson.
Em Dezembro o Cuanza-Norte registou em média cerca de 400 casos de malária por dia que resultaram em cinco óbitos
Fotografia: Nilo Mateus | Ndalatando
A periodicidade da fumigação depende da especificidade  da insecticida. Na cidade de Ndalatando, por exemplo,  tem-se  utilizado a deltamicina, que deve ser aplicada diariamente no primeiro mês e semanalmente nos meses subsequentes.
A par da fumigação,  as autoridades sanitárias aconselham o uso do mosquiteiro.  O boletim “A Prescrição” revela que a utilização regular do mosquiteiro tratado  diminui a mortalidade infantil  na ordem dos 25 por cento  e é menor a possibilidade  de se sofrer de anemia, subnutrição e malária grave.
O  uso de mosquiteiros, a par de cortinas (em janelas e portas)  tratados com insecticida, teve sucesso em experiências efectuadas nas Repúblicas do  Gana, Quénia e da Gâmbia.
Em Angola, a  eficácia das redes  é questionável, face a constrangimentos como a capacidade de  se reempregnar  os mosquiteiros, no mí-nimo de seis em seis meses por razões financeiras.
Desconhece-se o custo por unidade.  Francisco Dilex, 40 anos e residente no bairro Baba (periferia de Ndalatando), disse que se há dificuldades em ferver a  água para beber por falta de di-nheiro, também haveria  problemas para tratar mosquiteiros. A outra barreira é o desvio das redes por certos cidadãos para actividades como a pesca e caça de sobrevivência.
Tratamento da doença
Nos dias de hoje a forma mais comum  de tratar a malária é por via do uso do  coartem, artimeter e nalguns casos quinino. O Jornal de Angola passou em oito das mais de 20 farmácias  que existem em Ndalatando e constatou que o preço de uma dose de quinino varia entre  700  e 1.500 kwanzas.
Aparentemente, o mais procurado é o coartem, cuja dose varia entre 350 e 2000 kwanzas. Em xarope,  o mais vulgar é o artimeter,  no valor de 2.000 kwanzas e na versão em injectável o custo único das seis ampolas (dose)  são três mil kwanzas.
Em alguns hospitais, a fal-ta de antimaláricos é uma dura realidade.
Quando há dificuldades na aniquilação do anófele,  limitações no acesso aos medicamentos, chuva regular e higiene deficiente   a desgraça ganha corpo.
Em Dezembro, a província do Cuanza-Norte registou em média cerca de 400 casos de malária por dia, que resultaram em cinco óbitos. Entre Janeiro e Fevereiro ocorreram seis mortes e houve uma redução de 250 casos por dia de-vido ao abrandamento das chuvas, segundo a directora provincial da Saúde.
Quando há chuvas frequentes a probabilidade de proliferação da doença é maior,  porque  o mosquito vector, a anófele fêmea, escolhe águas estagnadas ou de pouca corrente para depositar  os seus ovos, que três dias depois se transformam em larvas. Quan-do o mosquito adulto pica alguém com malária absorve  parasitas que, 14 dias depois desenvolvem  e podem depositar noutras pessoas através de picadas.
Os parasitas da malária podem ser o plasmodium vivax, ovale, malariae, sendo o mais agressivo o plasmódio falciparum que destroem os glóbulos vermelhos no sangue e infectam novas células.
Inversão da situação
Para inverter o quadro, a mé-dica Filomena Wilson  sugere melhorias do saneamento através de limpezas, capinas e eliminação de charcos próximo às residências.
O êxito  de tais iniciativas  depende de mais consciencialização  da população, através da realização de profundas e bem planificadas campanhas de educação para saúde e de sensibilização ambiental.
A Organização Mundial da Saúde definiu em 1992 estratégias globais para prevenir e controlar a malária que se resumem na prestação de diagnósticos precoces e tratamento imediato.
As estratégias incluem ainda planeamento e implementação de medidas de prevenção sustentáveis e selectivas e  reforço das capacidades locais em termos de investigação básica e aplicada para uma avaliação regular da situação da malária nos diferentes países.